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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Capítulo 7 "Lana"




     Há alguns anos um grupo de pessoas desempregadas, o que era bastante comum ali, resolveram montar para conseguir de alguma forma seu sustento algumas barracas de venda de bugigangas à sombra de uma frondosa ameixeira em uma praça central do Complexo de Trabalho de Hensel, que obviamente ainda nem tinha esse nome. Tudo isso aconteceu muito antes de Antonio Ferdinozza e tudo que viria com o domínio da grande estrela. Diariamente, pela manhã, encontrava-se a venda embaixo daquela árvore qualquer coisa que se pudesse imaginar. Roupas usadas, aparelhos eletrônicos, velharias, frutas, alimentos diversos, artesanatos e tantas outras coisas que podiam ser compradas ali. O lugar rapidamente ganhou o nome de shopping ameixeira, que fez muito sucesso, sendo chamado de “o shopping dos pobres”. Alguns ainda, diziam as más línguas é claro, falavam que tratava-se de mercadoria roubada em sua maioria, o que não era difícil de imaginar, porém, ao ver as mulheres idosas, com os corpos duros, como cadeados enferrujados, a ideia parecia tão ridícula quanto um governo ditador dominando a cidade um dia. Mas toda e qualquer ideia ridícula tem sempre grandes chances de tornar-se realidade.
     Um poder ditador dominou a tudo e todos e Ferdinozza tomou posse de Belém. Houve eleições naquele ano e ele que já era bastante conhecido muito antes do decreto divisor foi eleito, uma grande fraude de fato, já que em todo o país toda a constelação tomou posse do governo naquele mesmo período. Ferdinozza ganhou com 94% dos votos. Os outros 6% foram brancos e nulos. Ainda que com tudo isso, o comentário que surgia pelas bocas dos velhos jogadores de dominó e carteado, os jovens nas mensagens de texto e as matérias políticas dos jornais tratavam tudo aquilo de maneira bastante anestésica e traziam a todos uma sensação de continuidade estável. Traduzindo: Mais um pra mamar nas tetas do governo e roubar o povo. Infelizmente, talvez para alguns, não foi o que aconteceu. Tudo mudou depois daquele 1 de janeiro, até mesmo naquele miserável shopping de chão, sob a ameixeira, que tumultuava diariamente a praça com comerciantes e compradores, todos juntos na peleja por um bom negócio.
     Quando Ferdinozza assumiu o poder o livre-comércio da capital foi desativado. O shopping dos pobres foi retirado e a ameixeira derrubada com grande tumulto, gritos e alguns tiros também – nada de incomum a partir dali. Um novo prédio construído. O Mercado do Fio.
     O Mercado do Fio nada mais era do que um galpão construído exatamente no lugar que abrigara O Ameixeira, ou seja, do lado oposto do Terminal de Coleta, na margem do porto verde. Conseguia-se qualquer coisa ali, roupas, alimentos e até algum livro de páginas amareladas e utensílios de casa. Tudo muito caro e descontado automaticamente no Rendimento Cápto. Todos os dias uma enorme fila se formava ali. Era a entrega de mantimentos à população. Açúcar, pão, café, arroz, farinha, feijão e até um pouco de carne conseguia-se ali. Uma quantidade era delimitada por famílias, as mais pobres, para o consumo diário. Nada era de graça. Para receberem o chamado “saco dos pobres” cada família tinha de ter pelo menos um membro trabalhando ao governo da capital e deixar a disposição do mesmo para qualquer petição prevista em necessidade. Havia um contrato para isso. Em Hensel mais da metade da população dependia do “saco dos pobres”. Não era nada que garantisse a sobrevivência, muito menos uma ação constante por parte do governo, porém, na ausência de qualquer perspectiva melhor, era a única solução.
     Lana costumava ir sempre ao Mercado do Fio quando as caminhonetes cheias de comida vinham até a entrada do mercado e eram descarregadas em alguns instantes por alguns passantes com a ordem dos militares. Naquele dia, estava ela ali, junto com outras dezenas de pessoas que amontoavam-se na fila que dava voltas pelo quarteirão central da antiga praça.
     Um homem de bigodes volumosos e olhos ansiosos começou a gritar andando na contramão da fila que iniciava-se no portão do Mercado do Fio. Usava um quepe azul já conhecido por todos, era um membro do exército da capital. Carregava em uma das mãos um pacote pequeno com uma estrela estampada. Suas botas de couro novas e lustrosas faziam um som desagradável ao acompanhar o passo comandado por seu dono. Silviano era um grande desgraçado.
     — Cidadãos de Hensel — começou ele com uma voz apressada. —, estamos aqui em nome de nosso intendente Ferdinozza. Ele manda saudações a todos. Passamos por momentos bastante difíceis, todos vocês o devem saber. Uma crise está por vir em toda a nação, porém não devem temer — ergueu a mão que estava com o pequeno pacote estampado. — Nosso comandante como sempre mostra seu empenho e nada deixará faltar em nossa cidade. Trabalhemos juntos para nossa resistência. Homens, mulheres, velhos e crianças, todos vocês estão chamados a erguer seus braços a manter aquilo que foi a missão de nossos antecessores.
     O homem parou e olhou para uma velha que abraçava fragilmente uma garota que tinha idade para ser sua neta. Estavam miseráveis. A mulher que nada tinha ouvido do entusiasmado discurso do sargento esfregava debilmente as mãos nos cabelos da neta.
     — Mulher, queres pão? — indagou-a.
     Um silêncio pairou sobre a multidão até que a velha finalmente apercebeu-se de que a pergunta se tratava dela.
     — Mulher, queres pão? — repetiu.
     — S-sim. Q-que-quero.
     — Ora vejam, uma demonstração: Essa  pobre coitada pode muito bem lembrar de como as coisas aconteciam antes de Ferdinozza. A crise pairava pela nação e principalmente na capital. A miséria era fachada de todos os rostos cansados de homens e mulheres trabalhadores. Hoje, graças a Ferdinozza  e Antueiras não é mais assim. Vejam: temos pão. O pão que Ferdinozza dá ao povo! Este é o pão de cada dia na Belém de Ferdinozza! Salve Ferdinozza!
    “Salve Ferdinozza!”, todos repetiram.
     Lana acompanhava toda aquela cena silenciosa. O homem bigodudo finalmente terminara o discurso e assim a entrega de mantimentos finalmente começava. Um soldado com uma das máquinas de identificação se posicionou sob uma mesa e outro entregava a partir da confirmação do primeiro um saco com a mesma estampa daquele desenho visto nas mãos do sargento Silviano.
     — Andem todos! Polegar direito para identificação!
     Daquela vez parecia que o governo estava um pouco mais disposto a ajudar. O saco de papel que cada um levava ao sair parecia um pouco mais pesado que o normal.
     Quando a esmola é demais o santo desconfia.    

* * *
     Não demorou muito e Lana já havia pegado aqueles mantimentos também. Não era muito, mas era necessário e mesmo que não fosse Lana sabia da importância em se enfrentar aquela fila. Ela lembrava-se ainda do que o pai certa vez lhe contara sobre uma família um pouco mais pobre de Hensel que deixou de ir a algumas campanhas para pegar da colheita do intendente. Passaram dois dias e encontraram todos mortos. O marido, a esposa e um filho. A não ida ao posto de distribuição de mantimentos no Mercado do Fio era visto pelos olhos do governo como um sinal de prosperidade econômica irregular ou pior, como uma simples e agressiva demonstração de rejeição ao governo. Mais tarde todos entenderam o que havia ocorrido. O esposo, um homem já velho estava passando um mal bocado e com a saúde debilitada.
     Acamado, não trabalhava mais e todo o sustento da família vinha da criação de algumas galinhas que tinha, da horta da esposa e de alguma caça que o filho adolescente realizava. Em poucos dias seu estado de saúde piorou e não pode mais fazer nada. A família isolou-se e não chegavam mais nem a sair do pequeno casebre próximo às praias de Hensel. A moradia ficava próximo a um desfiladeiro que se decaía por sobre o rio que circundava a ilha de maneira que o único modo de se chegar a margem da praia era descendo por escadas de madeira construídas por eles mesmos. Após duas campanhas no Mercado do Fio os homens de capacete azul chegaram até aquela casa. A mulher chegou a tentar explicar a eles o motivo das faltas, porém nada adiantou. Um dos homens, aquele que parecia ser o chefe deles, um sujeito ordinário com um nada sutil bigode retangular aparado arrancou o velho de seu leito como uma fera que rasga a carne de sua presa com as garras. Puxou sua mão direita e pôs no aparelho identificador. O velho deu um leve gemido ao ser ferrado pelo mesmo para a coleta sanguínea.
     — Péstulo Ricardo Mourão, 63 anos. — disse o capitão.
     — Como disse seu moço, isso mesmo. Meu marido está muito doente, mas já está melhorando. Tenho dado umas ervas pra ele tomar no chá. Ele melhorando. Ele melhorando...
     — Minha senhora, — interrompeu ele — seu marido não está melhorando coisa alguma. Péstulo Ricardo Mourão está com câncer. Provavelmente um câncer no estômago. Ele está morrendo. Morrendo. Olhe a senhora mesma — apontou a ela o aparelho onde aparecia a foto do marido e seus dados e logo abaixo inúmeras informações que não entendia e em negrito um circulo vermelho escrito 94%.
     O pobre homem parecia não estar ali presenciando aquele fato. Os três soldados, o seu capitão, a esposa e seu pequeno filho que acabara de acordar com todo aquele tumulto na pequena casa. Não estava ali. Sua esposa incrédula que um aparelho tão pequeno pudesse dizer algo tão cruel com uma força sobrenatural para o seu tamanho tão pequeno e mirrado começou a bater naquele capitão de capacete azul-claro. “É mentira! É mentira!” gritou ela enquanto aqueles homens tentavam segurá-la. Conseguiram.
     Aqueles grandes filhos-da-mãe.
     Sua velha nojenta.
     — O governo de Ferdinozza com o artigo 157 não tem nenhum dever nem responsabilidade com dementes, doentes físicos sem locomoção e doentes terminais, — cuspiu o cretino secamente. Após falar isso deu um leve sorriso, não com os lábios. Um sorriso através do olhar onde só a mulher pode perceber. Cálibra sempre gostava quando podia dizer aquelas palavras. Elas eram doces para ele. — o senhor Péstulo Ricardo Mourão não pertence mais a esta jurisdição.
      Automaticamente o homem simplesmente sacou a arma de sua cintura olhando fixamente aos olhos daquela que a pouco estava dando socos contra o seu peito e que agora imobilizada pelos seus homens não movia um único músculo de seu corpo.
     Um tiro.
     Um grito.
     Outro tiro.
    
     O menino não entendia muito bem toda aquela confusão que acontecia ali na sua casa estava ainda embrulhado em seu lençol de algodão surrado em sua cama que ficava em um lugar que chamavam de sala. Acordara com toda aquela gritaria. Viu sua mãe dando empurrões e socos contra um estranho homem com bigode engraçado. Os outros três homens que estavam com ele seguraram-na e a imobilizaram. Ficou com medo. Diante de tudo aquilo não conseguia se mover, estava totalmente paralisado. Rian entedera superficialmente quando o sujeito de bigode engraçado afirmou que o pai estava morrendo. Morrendo. Aquele cenário o deixou extremamente desconfortável e tudo o que queria era poder correr e abraçar sua mãe. Mas não conseguia. Não podia. Seus músculos estavam como que se estivessem congelados e uma forte dor corria por todo o seu corpo. Não gritava. Quando o homem disse a palavra “jurisdição” não entendeu muito bem, porém ao ver aqueles tiros pode entender a sua consequência. Sua mãe caíra e no chão ao olhar loucamente o estrago daquelas duas balas na cabeça de seu marido. Falecido marido. Compulsivamente ela tremia e dava berros dizendo algumas coisas inteligíveis.
     Quando aqueles homens da lei chegaram àquela casa o filho mais velho do casal estava cuidando do quintal. Eles não o viram. O jovem rapaz por um momento continuou seu serviço de capinar todo aquele mato que crescia ao redor da casa até o barranco que caía sob a praia. Estava ele ali quando ouviu os primeiros gritos da mãe. O que poderia ser? Correu em direção a casa e buscou por entre as brechas da tábuas que formavam as paredes do casebre entender o que estava acontecendo. Pelo tamanho dessas brechas não foi difícil ver aquela cena. Um homem de bigode estranho puxou a arma e mirou-a em seu pai e covardemente deu dois disparos.
     Filhos-da-mãe. Desgraçados. Meu pai.
     Os dois tiros fizeram um enorme estrago na cabeça do velho abrindo um enorme buraco ali, onde podia-se ver pedaços de massa encefálica e muito sangue escorrendo. O rapaz num ímpeto de tentar conter a ação daqueles homens puxou o terçado que estava usando para surpreendê-los entrando pela cozinha apanhando-os desprevenidos.
     — Como um homem sem jurisdição seu marido não terá direito a vaga em um cemitério comum. — recomeçou Cálibra observando detalhadamente sua farda para ver se não se sujara com o corpo miserável do falecido. — Aconselho que o enterrem pelo quintal mesmo. Devido a sua viuvez repentina a lei de Ferdinozza garante uma proteção de cem reais por mês durante dois meses em produtos do Mercado do Fio. Sobre seus b...
     — Seus desgraçados, bandidos!
     Levantando-se contra aqueles homens ele empunhava um grande terçado já enferrujado. Apanhando-os de surpresa, pelas costas, pegou em cheio um dos homens de Cálibra, que mais tarde puderam ver que se tratava de Francisco Goés. Com a arma pôde ferir seriamente o braço esquerdo do infeliz. Ele na verdade nunca imaginara fazer isso algum dia, como costumava ver nos filmes que tanto gostava de assistir, onde a cada tiro, faca ou até mesmo murros litros de sangue espalham-se por todos os lados. Certamente ficou decepcionado ao ver a fina lâmina entrando no corpo do militar e não o surpreendendo tanto assim. Então olhou novamente para o pai. Naquela partícula de segundo o fitou. A face do pai parecia intacta a não ser por um pequeno furo que saía um pouco abaixo dos olhos. O mesmo tão pequeno causara enorme estrago na parte de trás do crânio, onde espalhava um pouco daquilo que mantia o pai vivo há alguns minutos. O sangue não esguichava como nos filmes de Tarantino, mas escorria lentamente numa pulsação quase viva que ficava cada vez menos constante até parar. Retirou o terçado de Maués e mirou contra o que efetuara os disparos.
     Morre seu desgraçado, seu verme! Morre!
     Mas antes de alcançá-lo o algoz de seu pai venceu. Armou-se e foi certeiro. O tiro penetrou a testa. O jovem caiu de joelhos e ali morreu. A mãe que durante toda a briga permaneceu estática ao lado do marido, largou-o e correu até o filho. Ajoelhou-se ao lado dele e não mais chorava, apenas gritava.
     — Seus bandidos! Seus vermes! Malditos sejam, malditos sejam! Assassinos! Eu amaldiçoo vocês a so...
     — Margarina Mourão, — disse Cálibra com um sorriso macabro — quero dizer: Lúcia Margarida Mourão!
     Eu amaldiçoo a sofrerem o que estou sofrendo...Desgraçados...Meu filho...Meu marido...VOCÊS NÃO MORRERÃO ANTES DE MATAREM TODOS OS SEUS...Não morrerão...Onde está Rian?...Malditos...Não morrerão!
     A mulher olhou corajosamente para Cálibra enxugando o rosto das lágrimas que havia soltado.
     — Ana Margarida Mou...
     — Eu amaldiçoo todos vocês...Vocês não morrerão antes de matarem todos os seus! Não morrerão! NÃO MORRER...!
     — Mas você sim.
     Cálibra deu outro disparo.
     — Pensei que já tínhamos acabado com isso, sua bruxa nojenta!
     O silêncio se instaurou por alguns segundo até que Francisco Goés, o homem que estava ferido, após ter passado o êxtase sinistro de tudo aquilo.
     — Comandante, como explicaremos tudo isto?
     — Explicar? Que explicar nada. Alguma vez precisamos explicar alguma coisa? — Cálibra riu novamente enquanto pensava — Afinal de contas não aconteceu nada demais aqui esta manhã. Executamos o juízo de um homem sem jurisdição, um jovem em legítima defesa... enfim você foi ferido por aquele verme, não foi?
     — Nada muito grave. Um corte bem superficial. Aquela lâmina estava cega. Não sei como conseguia roçar com aquilo.
     Eles riram.
     — Bem, não tinha como observarmos isso naquele momento, mas se for necessário um tiro no seu ombro para poder provar isso eu mesmo o faço. — considerou o comandante. — E a mulher, por prática religiosa é claro. Com toda a certeza era uma dessas curandeiras, até me disse que estava curando o marido com o uso de ervas. Religião...
     Os três cuspiram no chão.
     — Vamos embora, deixem esses apodrecer aí pelo menos por alguns dias.
     Demorou alguns minutos após a saída deles até Rian conseguir se mover. Parecia que seu corpo estava sob o efeito de uma overdose de cicuta. Sua mente alerta, sua visão em desespero ao ver tudo aquilo, mas sem poder fazer nada. É claro que para um garoto ele não entendia nada disso, apenas que não conseguia se mover, mas não sabia o porque, talvez por medo. Mas aos poucos seus músculos foram se afrouxando, o coração foi desacelerando aos poucos. Assim conseguiu chorar, um choro contido quase mudo ao participar daquela cena grotesca. Seus pais e seu irmão ali, jogados. Até por ele, seu irmão mais velho, que não se davam muito bem e brigavam muito ele chorou, pois afinal de contas ele o amava. Rian começou a soluçar, como costumeiramente fazem as crianças após chorarem por longos períodos. Viu ali o pai, jogado na cama com uma poça de sangue em volta do seu corpo. Tocou levemente em seu rosto e fechou seus olhos, assim como a mãe. Rian que não costumava demonstrar muito seus sentimentos apenas observava tudo aquilo como em um sonho onde a qualquer momento tudo vai voltar ao normal. Mas sabia que nada voltaria. A mãe ali confirmava isso. Abraçou-a forte, como queria ter feito enquanto estava imóvel na cama e chorou alto. As lágrimas escorriam do seu rosto para de alguma forma aliviar tudo aquilo que estava sofrendo. O pequeno Rian estava só.
      
     VOCÊS NÃO MORRERÃO ANTES DE MATAREM TODOS OS SEUS...Não morrerão...

     A voz da mãe soou em sua mente impecável como se estivesse voltado, mas não. Estava morta. MORTA. Tinha de entender isso ou sofreria ainda mais. Rian levantou-se firme revigorado, enxugou as lágrimas e respirou fundo. Tinha uma missão: cumprir as últimas palavras da mãe. Isso foi para ele como um abraço que ela dava a ele costumeiramente quando chegava em casa.

     — Eu juro, pelo sangue de vocês, que cumprirei a palavra de mamãe. Eles vão pagar! Eles vão morrer!

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