Há alguns anos um grupo de pessoas desempregadas,
o que era bastante comum ali, resolveram montar para conseguir de alguma forma
seu sustento algumas barracas de venda de bugigangas à sombra de uma frondosa ameixeira
em uma praça central do Complexo de Trabalho de Hensel, que obviamente ainda nem
tinha esse nome. Tudo isso aconteceu muito antes de Antonio Ferdinozza e tudo
que viria com o domínio da grande estrela. Diariamente, pela manhã, encontrava-se
a venda embaixo daquela árvore qualquer coisa que se pudesse imaginar. Roupas
usadas, aparelhos eletrônicos, velharias, frutas, alimentos diversos,
artesanatos e tantas outras coisas que podiam ser compradas ali. O lugar rapidamente
ganhou o nome de shopping ameixeira, que fez muito sucesso, sendo chamado de “o
shopping dos pobres”. Alguns ainda, diziam as más línguas é claro, falavam que
tratava-se de mercadoria roubada em sua maioria, o que não era difícil de
imaginar, porém, ao ver as mulheres idosas, com os corpos duros, como cadeados
enferrujados, a ideia parecia tão ridícula quanto um governo ditador dominando
a cidade um dia. Mas toda e qualquer ideia ridícula tem sempre grandes chances
de tornar-se realidade.
Um poder ditador dominou a tudo e todos e
Ferdinozza tomou posse de Belém. Houve eleições naquele ano e ele que já era
bastante conhecido muito antes do decreto divisor foi eleito, uma grande fraude
de fato, já que em todo o país toda a constelação tomou posse do governo
naquele mesmo período. Ferdinozza ganhou com 94% dos votos. Os outros 6% foram
brancos e nulos. Ainda que com tudo isso, o comentário que surgia pelas bocas
dos velhos jogadores de dominó e carteado, os jovens nas mensagens de texto e
as matérias políticas dos jornais tratavam tudo aquilo de maneira bastante
anestésica e traziam a todos uma sensação de continuidade estável. Traduzindo: Mais um pra mamar nas tetas do governo e
roubar o povo. Infelizmente, talvez para alguns, não foi o que aconteceu.
Tudo mudou depois daquele 1 de janeiro, até mesmo naquele miserável shopping de
chão, sob a ameixeira, que tumultuava diariamente a praça com comerciantes e
compradores, todos juntos na peleja por um bom negócio.
Quando Ferdinozza assumiu o poder o livre-comércio
da capital foi desativado. O shopping dos pobres foi retirado e a ameixeira
derrubada com grande tumulto, gritos e alguns tiros também – nada de incomum a
partir dali. Um novo prédio construído. O Mercado do Fio.
O Mercado do Fio nada mais era do que um
galpão construído exatamente no lugar que abrigara O Ameixeira, ou seja, do
lado oposto do Terminal de Coleta, na margem do porto verde. Conseguia-se
qualquer coisa ali, roupas, alimentos e até algum livro de páginas amareladas e
utensílios de casa. Tudo muito caro e descontado automaticamente no Rendimento
Cápto. Todos os dias uma enorme fila se formava ali. Era a entrega de
mantimentos à população. Açúcar, pão, café, arroz, farinha, feijão e até um
pouco de carne conseguia-se ali. Uma quantidade era delimitada por famílias, as
mais pobres, para o consumo diário. Nada era de graça. Para receberem o chamado
“saco dos pobres” cada família tinha de ter pelo menos um membro trabalhando ao
governo da capital e deixar a disposição do mesmo para qualquer petição
prevista em necessidade. Havia um contrato para isso. Em Hensel mais da metade
da população dependia do “saco dos pobres”. Não era nada que garantisse a
sobrevivência, muito menos uma ação constante por parte do governo, porém, na
ausência de qualquer perspectiva melhor, era a única solução.
Lana costumava ir sempre ao Mercado do Fio
quando as caminhonetes cheias de comida vinham até a entrada do mercado e eram
descarregadas em alguns instantes por alguns passantes com a ordem dos
militares. Naquele dia, estava ela ali, junto com outras dezenas de pessoas que
amontoavam-se na fila que dava voltas pelo quarteirão central da antiga praça.
Um homem de bigodes volumosos e olhos
ansiosos começou a gritar andando na contramão da fila que iniciava-se no
portão do Mercado do Fio. Usava um quepe azul já conhecido por todos, era um
membro do exército da capital. Carregava em uma das mãos um pacote pequeno com
uma estrela estampada. Suas botas de couro novas e lustrosas faziam um som
desagradável ao acompanhar o passo comandado por seu dono. Silviano era um
grande desgraçado.
— Cidadãos de Hensel — começou ele com uma
voz apressada. —, estamos aqui em nome de nosso intendente Ferdinozza. Ele
manda saudações a todos. Passamos por momentos bastante difíceis, todos vocês o
devem saber. Uma crise está por vir em toda a nação, porém não devem temer —
ergueu a mão que estava com o pequeno pacote estampado. — Nosso comandante como
sempre mostra seu empenho e nada deixará faltar em nossa cidade. Trabalhemos
juntos para nossa resistência. Homens, mulheres, velhos e crianças, todos vocês
estão chamados a erguer seus braços a manter aquilo que foi a missão de nossos
antecessores.
O homem parou e olhou para uma velha que
abraçava fragilmente uma garota que tinha idade para ser sua neta. Estavam
miseráveis. A mulher que nada tinha ouvido do entusiasmado discurso do sargento
esfregava debilmente as mãos nos cabelos da neta.
— Mulher, queres pão? — indagou-a.
Um silêncio pairou sobre a multidão até
que a velha finalmente apercebeu-se de que a pergunta se tratava dela.
— Mulher, queres pão? — repetiu.
—
S-sim. Q-que-quero.
— Ora vejam, uma demonstração: Essa pobre coitada pode muito bem lembrar de como
as coisas aconteciam antes de Ferdinozza. A crise pairava pela nação e
principalmente na capital. A miséria era fachada de todos os rostos cansados de
homens e mulheres trabalhadores. Hoje, graças a Ferdinozza e Antueiras não é mais assim. Vejam: temos
pão. O pão que Ferdinozza dá ao povo! Este é o pão de cada dia na Belém de
Ferdinozza! Salve Ferdinozza!
“Salve Ferdinozza!”, todos repetiram.
Lana acompanhava toda aquela cena
silenciosa. O homem bigodudo finalmente terminara o discurso e assim a entrega
de mantimentos finalmente começava. Um soldado com uma das máquinas de
identificação se posicionou sob uma mesa e outro entregava a partir da
confirmação do primeiro um saco com a mesma estampa daquele desenho visto nas
mãos do sargento Silviano.
— Andem todos! Polegar direito para
identificação!
Daquela vez parecia que o governo estava
um pouco mais disposto a ajudar. O saco de papel que cada um levava ao sair
parecia um pouco mais pesado que o normal.
Quando
a esmola é demais o santo desconfia.
* * *
Não demorou muito e Lana já havia
pegado aqueles mantimentos também. Não era muito, mas era necessário e mesmo
que não fosse Lana sabia da importância em se enfrentar aquela fila. Ela
lembrava-se ainda do que o pai certa vez lhe contara sobre uma família um pouco
mais pobre de Hensel que deixou de ir a algumas campanhas para pegar da
colheita do intendente. Passaram dois dias e encontraram todos mortos. O
marido, a esposa e um filho. A não ida ao posto de distribuição de mantimentos
no Mercado do Fio era visto pelos olhos do governo como um sinal de
prosperidade econômica irregular ou pior, como uma simples e agressiva demonstração
de rejeição ao governo. Mais tarde todos entenderam o que havia ocorrido. O
esposo, um homem já velho estava passando um mal bocado e com a saúde
debilitada.
Acamado, não trabalhava mais e todo o
sustento da família vinha da criação de algumas galinhas que tinha, da horta da
esposa e de alguma caça que o filho adolescente realizava. Em poucos dias seu
estado de saúde piorou e não pode mais fazer nada. A família isolou-se e não
chegavam mais nem a sair do pequeno casebre próximo às praias de Hensel. A
moradia ficava próximo a um desfiladeiro que se decaía por sobre o rio que
circundava a ilha de maneira que o único modo de se chegar a margem da praia
era descendo por escadas de madeira construídas por eles mesmos. Após duas
campanhas no Mercado do Fio os homens de capacete azul chegaram até aquela
casa. A mulher chegou a tentar explicar a eles o motivo das faltas, porém nada
adiantou. Um dos homens, aquele que parecia ser o chefe deles, um sujeito
ordinário com um nada sutil bigode retangular aparado arrancou o velho de seu
leito como uma fera que rasga a carne de sua presa com as garras. Puxou sua mão
direita e pôs no aparelho identificador. O velho deu um leve gemido ao ser
ferrado pelo mesmo para a coleta sanguínea.
— Péstulo Ricardo Mourão, 63 anos. — disse
o capitão.
— Como disse seu moço, isso mesmo. Meu
marido está muito doente, mas já está melhorando. Tenho dado umas ervas pra ele
tomar no chá. Ele tá melhorando. Ele tá melhorando...
— Minha senhora, — interrompeu ele — seu
marido não está melhorando coisa alguma. Péstulo Ricardo Mourão está com
câncer. Provavelmente um câncer no estômago. Ele está morrendo. Morrendo. Olhe
a senhora mesma — apontou a ela o aparelho onde aparecia a foto do marido e
seus dados e logo abaixo inúmeras informações que não entendia e em negrito um
circulo vermelho escrito 94%.
O pobre homem parecia não estar ali
presenciando aquele fato. Os três soldados, o seu capitão, a esposa e seu
pequeno filho que acabara de acordar com todo aquele tumulto na pequena casa.
Não estava ali. Sua esposa incrédula que um aparelho tão pequeno pudesse dizer
algo tão cruel com uma força sobrenatural para o seu tamanho tão pequeno e
mirrado começou a bater naquele capitão de capacete azul-claro. “É mentira! É mentira!”
gritou ela enquanto aqueles homens tentavam segurá-la. Conseguiram.
Aqueles
grandes filhos-da-mãe.
Sua velha nojenta.
— O governo de Ferdinozza com o artigo 157
não tem nenhum dever nem responsabilidade com dementes, doentes físicos sem
locomoção e doentes terminais, — cuspiu o cretino secamente. Após falar isso
deu um leve sorriso, não com os lábios. Um sorriso através do olhar onde só a
mulher pode perceber. Cálibra sempre gostava quando podia dizer aquelas
palavras. Elas eram doces para ele. — o senhor Péstulo Ricardo Mourão não
pertence mais a esta jurisdição.
Automaticamente o homem simplesmente
sacou a arma de sua cintura olhando fixamente aos olhos daquela que a pouco
estava dando socos contra o seu peito e que agora imobilizada pelos seus homens
não movia um único músculo de seu corpo.
Um tiro.
Um grito.
Outro tiro.
O menino não entendia muito bem toda
aquela confusão que acontecia ali na sua casa estava ainda embrulhado em seu
lençol de algodão surrado em sua cama que ficava em um lugar que chamavam de
sala. Acordara com toda aquela gritaria. Viu sua mãe dando empurrões e socos
contra um estranho homem com bigode engraçado. Os outros três homens que
estavam com ele seguraram-na e a imobilizaram. Ficou com medo. Diante de tudo
aquilo não conseguia se mover, estava totalmente paralisado. Rian entedera
superficialmente quando o sujeito de bigode engraçado afirmou que o pai estava
morrendo. Morrendo. Aquele cenário o deixou extremamente desconfortável e tudo
o que queria era poder correr e abraçar sua mãe. Mas não conseguia. Não podia.
Seus músculos estavam como que se estivessem congelados e uma forte dor corria
por todo o seu corpo. Não gritava. Quando o homem disse a palavra “jurisdição”
não entendeu muito bem, porém ao ver aqueles tiros pode entender a sua
consequência. Sua mãe caíra e no chão ao olhar loucamente o estrago daquelas
duas balas na cabeça de seu marido. Falecido marido. Compulsivamente ela tremia
e dava berros dizendo algumas coisas inteligíveis.
Quando aqueles homens da lei chegaram
àquela casa o filho mais velho do casal estava cuidando do quintal. Eles não o
viram. O jovem rapaz por um momento continuou seu serviço de capinar todo
aquele mato que crescia ao redor da casa até o barranco que caía sob a praia.
Estava ele ali quando ouviu os primeiros gritos da mãe. O que poderia ser?
Correu em direção a casa e buscou por entre as brechas da tábuas que formavam
as paredes do casebre entender o que estava acontecendo. Pelo tamanho dessas
brechas não foi difícil ver aquela cena. Um homem de bigode estranho puxou a
arma e mirou-a em seu pai e covardemente deu dois disparos.
Filhos-da-mãe.
Desgraçados. Meu pai.
Os
dois tiros fizeram um enorme estrago na cabeça do velho abrindo um enorme
buraco ali, onde podia-se ver pedaços de massa encefálica e muito sangue
escorrendo. O rapaz num ímpeto de tentar conter a ação daqueles homens puxou o
terçado que estava usando para surpreendê-los entrando pela cozinha
apanhando-os desprevenidos.
— Como um homem sem jurisdição seu marido
não terá direito a vaga em um cemitério comum. — recomeçou Cálibra observando
detalhadamente sua farda para ver se não se sujara com o corpo miserável do
falecido. — Aconselho que o enterrem pelo quintal mesmo. Devido a sua viuvez
repentina a lei de Ferdinozza garante uma proteção de cem reais por mês durante
dois meses em produtos do Mercado do Fio. Sobre seus b...
— Seus desgraçados, bandidos!
Levantando-se contra aqueles homens ele
empunhava um grande terçado já enferrujado. Apanhando-os de surpresa, pelas
costas, pegou em cheio um dos homens de Cálibra, que mais tarde puderam ver que
se tratava de Francisco Goés. Com a arma pôde ferir seriamente o braço esquerdo
do infeliz. Ele na verdade nunca imaginara fazer isso algum dia, como costumava
ver nos filmes que tanto gostava de assistir, onde a cada tiro, faca ou até
mesmo murros litros de sangue espalham-se por todos os lados. Certamente ficou
decepcionado ao ver a fina lâmina entrando no corpo do militar e não o
surpreendendo tanto assim. Então olhou novamente para o pai. Naquela partícula
de segundo o fitou. A face do pai parecia intacta a não ser por um pequeno furo
que saía um pouco abaixo dos olhos. O mesmo tão pequeno causara enorme estrago na
parte de trás do crânio, onde espalhava um pouco daquilo que mantia o pai vivo
há alguns minutos. O sangue não esguichava como nos filmes de Tarantino, mas
escorria lentamente numa pulsação quase viva que ficava cada vez menos
constante até parar. Retirou o terçado de Maués e mirou contra o que efetuara
os disparos.
Morre
seu desgraçado, seu verme! Morre!
Mas antes de alcançá-lo o algoz de seu pai
venceu. Armou-se e foi certeiro. O tiro penetrou a testa. O jovem caiu de
joelhos e ali morreu. A mãe que durante toda a briga permaneceu estática ao
lado do marido, largou-o e correu até o filho. Ajoelhou-se ao lado dele e não
mais chorava, apenas gritava.
— Seus bandidos! Seus vermes! Malditos
sejam, malditos sejam! Assassinos! Eu amaldiçoo vocês a so...
— Margarina Mourão, — disse Cálibra com um
sorriso macabro — quero dizer: Lúcia Margarida Mourão!
Eu
amaldiçoo a sofrerem o que estou sofrendo...Desgraçados...Meu filho...Meu
marido...VOCÊS NÃO MORRERÃO ANTES DE MATAREM TODOS OS SEUS...Não
morrerão...Onde está Rian?...Malditos...Não morrerão!
A
mulher olhou corajosamente para Cálibra enxugando o rosto das lágrimas que
havia soltado.
— Ana Margarida Mou...
— Eu amaldiçoo todos vocês...Vocês não
morrerão antes de matarem todos os seus! Não morrerão! NÃO MORRER...!
—
Mas você sim.
Cálibra deu outro disparo.
— Pensei que já tínhamos acabado com isso,
sua bruxa nojenta!
O silêncio se instaurou por alguns segundo
até que Francisco Goés, o homem que estava ferido, após ter passado o êxtase
sinistro de tudo aquilo.
— Comandante, como explicaremos tudo isto?
— Explicar? Que explicar nada. Alguma vez
precisamos explicar alguma coisa? — Cálibra riu novamente enquanto pensava —
Afinal de contas não aconteceu nada demais aqui esta manhã. Executamos o juízo
de um homem sem jurisdição, um jovem em legítima defesa... enfim você foi
ferido por aquele verme, não foi?
— Nada muito grave. Um corte bem
superficial. Aquela lâmina estava cega. Não sei como conseguia roçar com
aquilo.
Eles riram.
— Bem, não tinha como observarmos isso
naquele momento, mas se for necessário um tiro no seu ombro para poder provar
isso eu mesmo o faço. — considerou o comandante. — E a mulher, por prática
religiosa é claro. Com toda a certeza era uma dessas curandeiras, até me disse
que estava curando o marido com o uso de ervas. Religião...
Os três cuspiram no chão.
— Vamos embora, deixem esses apodrecer aí
pelo menos por alguns dias.
Demorou alguns minutos após a saída deles
até Rian conseguir se mover. Parecia que seu corpo estava sob o efeito de uma
overdose de cicuta. Sua mente alerta, sua visão em desespero ao ver tudo
aquilo, mas sem poder fazer nada. É claro que para um garoto ele não entendia
nada disso, apenas que não conseguia se mover, mas não sabia o porque, talvez
por medo. Mas aos poucos seus músculos foram se afrouxando, o coração foi
desacelerando aos poucos. Assim conseguiu chorar, um choro contido quase mudo
ao participar daquela cena grotesca. Seus pais e seu irmão ali, jogados. Até
por ele, seu irmão mais velho, que não se davam muito bem e brigavam muito ele
chorou, pois afinal de contas ele o amava. Rian começou a soluçar, como
costumeiramente fazem as crianças após chorarem por longos períodos. Viu ali o
pai, jogado na cama com uma poça de sangue em volta do seu corpo. Tocou
levemente em seu rosto e fechou seus olhos, assim como a mãe. Rian que não
costumava demonstrar muito seus sentimentos apenas observava tudo aquilo como
em um sonho onde a qualquer momento tudo vai voltar ao normal. Mas sabia que
nada voltaria. A mãe ali confirmava isso. Abraçou-a forte, como queria ter
feito enquanto estava imóvel na cama e chorou alto. As lágrimas escorriam do
seu rosto para de alguma forma aliviar tudo aquilo que estava sofrendo. O
pequeno Rian estava só.
VOCÊS
NÃO MORRERÃO ANTES DE MATAREM TODOS OS SEUS...Não morrerão...
A
voz da mãe soou em sua mente impecável como se estivesse voltado, mas não.
Estava morta. MORTA. Tinha de entender isso ou sofreria ainda mais. Rian
levantou-se firme revigorado, enxugou as lágrimas e respirou fundo. Tinha uma
missão: cumprir as últimas palavras da mãe. Isso foi para ele como um abraço
que ela dava a ele costumeiramente quando chegava em casa.
— Eu juro, pelo sangue de vocês, que
cumprirei a palavra de mamãe. Eles vão pagar! Eles vão morrer!
Nenhum comentário:
Postar um comentário